“A tendência moderna de retirar das páginas da história toda e qualquer referência a Deus não é apenas uma tolice, é também uma tragédia”.
Stephen B. Brown
Seminário Teológico Reformado
Objetivo
O objetivo deste estudo sobre Colombo é, primeiramente, reconhecer que as Escrituras Sagradas, a Bíblia, é a palavra de Deus revelada para toda a humanidade e tem sido útil para dirigir a vida de homens e mulheres nas mais diferentes épocas. Em segundo lugar, o estudo visa também identificar a ação de Colombo na história como ação providencial de Deus, com vistas ao cumprimento de seu mandato quanto à pregação do Evangelho a toda a criatura e quanto à manifestação da sua glória a todas as nações da Terra. Em terceiro lugar, visa também refletir sobre as possíveis razões do desconhecimento sobre o livro escrito por Colombo, nos quais são explicitadas sua fé e seu vasto conhecimento das Escrituras Sagradas.
São utilizados como recursos básicos para esta reflexão os livros de Kay Brigham: Christopher Columbus: His Life and Discovery in the Light of His Prophecies [Cristovão Colombo: sua Vida e Descoberta à Luz de suas Profecias]; Christopher Columbus’s Book of Prophecies: Reproduction of the Original Manuscript With English Translation [Livro das Profecias de Cristovão Colombo: Reprodução do Manuscrito Original com Tradução para o Inglês], tradução e comentários também de Kay Bifhanm, e Christopher Columbus: Adventurer of Faith and Courage [Cristovão Colombo: Empreendedor de Fé e Coragem], escrito por Norma Cournow Camp.
Motivação
Em fevereiro de 2012, nos primeiros dias de minha visita à Hall-Slater Library (Biblioteca Hall-Slater), na Virgínia, USA, conheci Jose González, um uruguaio que vive nos Estados Unidos desde criança. Gonzalez é um apaixonado pelas conexões do Reino de Cristo.
Seu ministério é a formação e encorajamento de líderes cristãos, de modo especial na América Latina. Gonzalez levou-me para conhecer a Regent University, uma universidade cristã fundada por Pat Roberston, outro cristão visionário que está totalmente comprometido com a formação de líderes cristãos no mundo. Durante a visita à Regent University, Jose González falou-me sobre Colombo e sobre a enorme importância do descobridor das Américas para o cumprimento da grande comissão – a ordem de Jesus para que os cristãos pregassem o Evangelho do reino em todo o mundo. González garantiu-me que esta era a motivação principal de Colombo durante toda sua vida como navegador. Jose González falou-me também sobre o Livro das Profecias, escrito por Cristovão Colombo e ainda quase totalmente desconhecido do público, tanto na Europa quanto nas Américas.
Mais do que falar-me sobre o livro, Jose González emprestou-me seu próprio exemplar de Kay Birgman cujo título é “O Livro das Profecias de Christopher Columbus” e mostrou-me alguns detalhes do mesmo, aumentando minha curiosidade. Alguns dias depois da conversa com González, Carole Adams, a atual responsável pela FACE – Foudantion for American Christian Education [Fundação pela Educação Cristã Americana] e também pela Biblioteca Hall-Slater, mostrou-me o outro livro de Kay Birgman (Chistopher Columbus, sua vida e descobrimento à luz de suas profecias). Foi por meio deste segundo livro que pude entender melhor o entusiasmo de González e a relevância do assunto. Mais tarde encontrei, na própria biblioteca da FACE, o exemplar do livro em linguagem infanto-juvenil, chamado Christopher Collumbus – Adventures of Faith and Courage.
Partindo destes três recursos, recorri também à pesquisa na Internet e percebi que o material disponível nesta fonte teria me proporcionado grande confusão, caso eu não tivesse lido os materiais anteriormente citados. Isto porque os textos online são contraditórios entre si, apresentando discordâncias não apenas quanto às motivações do descobridor, como também questionado seu país de nascimento, a condição social de sua família e muito mais.
Como o material que eu tinha lido anteriormente estava fundamentado em rigorosa pesquisa documental, considerei meu dever e de interesse dos educadores brasileiros fazer meu comentário a respeito.
O herói e a história
Era uma vez um garoto sonhador nascido na cidade de Gênova, na Itália. No seu país de origem, a maioria das pessoas pensava que a terra era quadrada. Não somente em seu próprio país, mas nos países considerados os mais desenvolvidos da época, reis, nobres, marinheiros e magistrados, assim como os parentes deste menino e os demais garotos de sua idade, pensavam que se alguém navegasse sempre na mesma direção, acabaria caindo da Terra para um lugar terrível, do qual nunca mais conseguiria voltar. Poucas pessoas duvidavam disso e pouquíssimas tinham certeza do contrário. O garoto da nossa história tinha lido sobre isso e começava a acreditar que a terra era redonda e que se alguém viajasse sempre para o oeste, acabaria dando a volta à Terra. Além disso, ele acreditava que uma viagem como esta revelaria ao mundo a existência de ilhas desconhecidas de todos, nas quais viviam pessoas que precisavam ser encontradas para que ouvissem a história do Senhor Jesus Cristo, que sendo Deus, deixou os céus e veio Terra para salvar os seres humanos de seus pecados.
O nome deste garoto era Cristovão Colombo. Desde muito pequeno ele ajudava seu pai no trabalho como tecelão, mas aproveitava o tempo livre para passear pelo porto e conversar com marinheiros que lhe davam alguma atenção. Por meio de suas conversas e de suas leituras, o menino percebeu que as pessoas adultas não pensam todas da mesma forma, ou seja, uns acreditam em algumas coisas que outros consideram tolice ou mesmo loucura. Não se pode acreditar em tudo o que se ouve, porque ouvimos coisas que contrariam umas às outras. Ele acabou percebendo que uma coisa não precisa ser verdadeira para que a maioria das pessoas acredite nela, assim como uma verdade não deixa de ser verdade somente porque as pessoas dizem que não é verdade. Existem verdades que nunca foram descobertas por ninguém. Existem mistérios que um dia se tornarão conhecidos.
Desde muito pequeno Cristovão tinha aprendido que seu nome tinha o significado especial de o “condutor de Cristo”. Seus pais tinham escolhido este nome em homenagem a um santo católico o qual, segundo a tradição, teria carregado sobre seus próprios ombros uma criança que depois se revelou como sendo o Salvador. Quando completou dez anos de idade, ao ouvir novamente esta história, o menino Cristovão fez um voto de tornar-se, também ele, um condutor ou carregador de Cristo. Ele decidiu que seria um navegador para levar Cristo às terras distantes.
Juntando seu interesse missionário e seu amor pela navegação, o menino começou a navegar aos 14 anos de idade e teve oportunidade de trabalhar com marinheiros muito experientes. Nesta época o menino também aprendeu a importância dos mapas de navegação. Quando estava com 25 anos de idade, o navio no qual Colombo viajava foi atacado por marinheiros franceses e foi totalmente destruído. Colombo foi salvo agarrando-se a pedaços do navio que foram arrastados para terra firme. Ele tinha chegado a Portugal. Após ter sido salvo milagrosamente do naufrágio, Colombo teve que esperar muitos dias para recuperar-se dos terríveis ferimentos e então poder procurar por seu irmão Bartolomeu, que vivia em Lisboa.
Colombo ficou em Portugal por alguns anos ajudando seu irmão no trabalho de preparação de mapas para os marinheiros. Isto muito o ajudou a conhecer melhor as rotas marítimas utilizadas pelos navegadores do seu tempo, bem como mapas antigos, como o de Ptolomeu. Com o tempo, ele desenvolveu um plano para fazer a travessia que parecia impossível para todos. Colombo levou sua ideia ao rei de Portugal. O rei demonstrou possuir uma tendência para acreditar no projeto de Colombo, mas seus conselheiros tendiam mais para a zombaria do que para uma consideração séria sobre o assunto. Pelo menos foi o que pareceu a princípio. Mais tarde, entretanto, soube-se que o rei de Portugal enviara secretamente algumas expedições seguindo o projeto de viagem de Colombo.
Colombo decidiu então deixar Portugal e procurar o apoio dos reis da Espanha. Numa noite em que ficou hospedado num mosteiro, mostrou seus planos para alguns monges estudiosos da Bíblia e estes disseram que esses planos eram razoáveis, do ponto de vista das profecias bíblicas. Por causa disso os monges o ajudaram a aproximar-se dos reis da Espanha e, estes reis, prometeram ajudar Colombo na realização de seu grandioso projeto.
Colombo apegou-se às profecias, crendo que Deus o havia escolhido como fizera com o imperador Ciro, para levar as boas novas do Evangelho para terras e ilhas que ainda seriam descobertas. Nos momentos de angústia por causa da espera que parecia interminável, Colombo lembrava-se do voto que tinha feito ao Senhor quando criança. Ele sabia que Deus lhe daria condições de cumprir o voto e assim poder levar Cristo ao mundo desconhecido. Além disso, Colombo passou a desenvolver a convicção de que nas terras desconhecidas, ele encontraria muito ouro e outras riquezas que poderiam ser utilizadas para libertar Jerusalém do poder daqueles que não acreditavam em Cristo.
Depois de sete longos anos de espera, os reis espanhóis finalmente concederam a Colombo os recursos que ele havia solicitado para fazer a grande viagem. Em 1492, Colombo partiu de Palos com três caravelas, Santa Maria, Pinta e Ninã. Sua fé o manteve firme, mesmo durante as terríveis tempestades que enfrentou logo nos primeiros dias da viagem. Sua fé foi também muito importante para não se deixar influenciar pelo desespero dos marinheiros que, apavorados diante do desconhecido, queriam forçá-lo a voltar atrás. Num momento crítico da viagem, Colombo percebeu que os marinheiros estavam à beira de um motim e estavam prestes a forçá-lo a voltar. Diante disso, Colombo prometeu que se não encontrassem terra em três dias, eles voltariam. Na madrugada do terceiro dia após sua promessa, às 2 horas da manhã, ouviu-se o grito esperado há muito tempo: “terra à vista”. Era 12 de outubro de 1492.
Não havia dúvida, havia terra claramente iluminada pela lua cheia. Colombo imediatamente ajoelhou-se e agradeceu a Deus por sua fidelidade.
Significado histórico de suas descobertas
Alguns historiadores, antropólogos e outros pesquisadores têm encontrado indícios de que alguns navegadores chineses ou vikings teriam estado na América cerca de mil anos antes de Colombo. Entendemos que a comprovação destes indícios em nada diminuiria a importância da viagem realizada por Colombo, considerando-se a extrema dificuldade de sua realização na época e suas grandiosas consequências para o futuro instaurado a partir de então. Ao que a história indica, a presença de navegantes nas costas do continente americano não teria facilitado em nada a travessia dos mares e também não teriam sido de capital importância para aumentar a probabilidade de que os projetos de Colombo fossem recebidos com credibilidade suficiente para que os soberanos apoiassem o projeto e liberassem os recursos necessários. A determinação de Colombo e sua fé foram muitíssimo mais importantes para que a viagem se tornasse possível e passasse a representar um marco para a história mundial.
Não se pode afirmar se tais viagens, caso tenham ocorrido realmente, eram conhecidas no tempo de Colombo. Entretanto, é a partir de Colombo que uma nova era para a humanidade é instaurada. Mais tarde Américo Vespúcio fez a mesma travessia e recebeu muito mais honrarias que o pioneiro. Cabral, ao “descobrir” o Brasil, também teve seu quinhão de honra e prestígio. A América, o continente escondido até quinhentos anos atrás veio a tornar-se, em muitos aspectos, a fonte de esperança para o planeta.
O continente americano, principalmente a América do Norte, tornou-se para os peregrinos protestantes a materialização da Terra prometida. Alguns escreveram sobre a maravilhosa providência de Deus, ao ter guardado esta terra até o período da Reforma Protestante, de maneira que os reformadores pudessem encontrar um lugar de refúgio para expressar livremente sua fé em Deus e começar uma nação com base nos princípios divinos.
As primeiras colônias norte-americanas começaram a se formar mais de um século depois da viagem do descobridor. Um século e meio após o início da colonização, surgiu uma nação diferente de todas as demais nações da terra. A grande diferença são seus princípios de governo, derivados do estudo acurado das Escrituras Sagradas e dos documentos legais que esta Escritura havia inspirado.
A nação recém-formada tornou-se, em muito pouco tempo, referencial para o mundo moderno. É referência na área de educação, de prosperidade econômica, de liberdade, de desenvolvimento tecnológico. Um século após sua formação como nação independente, a América do Norte já havia se tornado uma referência para o mundo.
Vivemos deste lado do Atlântico e não paramos para pensar que nosso continente era totalmente desconhecido há pouco mais de cinco séculos atrás. O mundo não foi mais o mesmo após a viagem de Colombo.
A propaganda do sucesso da viagem de Colombo resultou em inúmeras outras iniciativas, pois após o descobrimento, a certeza de que havia realmente terra no ocidente fez com que os perigos da grande travessia fossem percebidos como dignos de serem enfrentados, pois não era mais uma empresa incerta. As viagens transatlânticas nunca mais cessaram. Plantas e animais foram trazidos e levados. Tecnologias e receitas medicinais cruzaram os mares. Homens e ideias foram transportados pelos navios através dos mares e dos séculos que se seguiram.
Historiadores e economistas, sociólogos e antropólogos, todos afirmam que a Europa estava pronta para o descobrimento e para a exploração das terras a serem descobertas. É enfatizado também que Colombo era um navegador empreendedor, que tinha em vista obter fama e riquezas com suas descobertas. Entretanto, muitos outros navegadores em seu tempo provavelmente teriam ambição empreendedorismo suficientes para fazer a mesma travessia, caso estes elementos fossem suficientes para o enfrentamento do quase absoluto desconhecido.
O que diferia Colombo de seus contemporâneos era, na opinião dos pesquisadores utilizados para este trabalho, sua Fé em Deus e sua crença total e absoluta na veracidade das profecias bíblicas, muitas das quais Colombo interpretou como sendo referências à sua própria pessoa. Não fossem essas profecias, provavelmente seu projeto teria sucumbido ante as inúmeras negativas recebidas, os longos anos de espera ou ante os apelos de seus marinheiros após longo período de viagem.
O livro “As profecias”
Ao voltar para a Europa após sua segunda viagem, Colombo escreveu um livro no qual reúne trechos de documentos e cartas permeados por profecias bíblicas que fazem referência às ilhas e nações que, segundo ele, seriam descobertas por alguém escolhido por Deus para esta tarefa. Ele se identifica com o escolhido de Deus para esta missão. O livro foi ignorado por quase cinco séculos e apenas quando se aproximavam as celebrações do quinto centenário do descobrimento da América este livro teve alguma atenção e mais tarde tornou-se do conhecimento de alguns pesquisadores.
Segundo Kay Brigham, como parte das comemorações dos 500 anos do descobrimento do novo mundo, a Tetimonio Companhia Editorial, de Madrid, por meio de sistemas avançados de impressão e artes gráficas, preparou uma reprodução do livro As profecias. A edição tem número limitado e foi feita com técnicas de facsimili, reproduzindo inclusive roturas no papel, manchas e falhas na escrita ocasionados pelo tempo. Trata-se da reprodução do manuscrito original, na própria letra de Colombo, manuscrito este que continha originalmente 84 páginas das quais estão faltando 14. O original encontra-se na Biblioteca Capitular y Colombina, na catedral de Sevilha, catalogada sob o número 2091, do registro de Fernando Colombo, um dos filhos do navegador.
No livro As Profecias, Colombo transcreve mais de 200 trechos de textos da Bíblia em Latim (vulgata latina), além de comentários de Agostinho e Nicolau de Lira. É este livro a maior prova de que o combustível que alimentou o desejo, as convicções e intrepidez de Colombo foram sua fé em Deus e seu conhecimento das Escrituras Sagradas. A Bíblia, além de ser o livro de suas convicções religiosas e sua prática devocional era também seu livro de navegação.
Cristovão Colombo tinha feito um voto a Deus e este voto estava calcado na certeza de que ele tinha um chamado especial para executar uma obra de consequências eternas. Ele tinha a expectativa de realizar algo grandioso que transformaria a história. Mas ele não sabia o quanto isso era verdadeiro e nem de que forma sua coragem seria inspiradora para futuras viagens e como estas viagens realmente representariam uma radical mudança na história de todo o planeta e também para o Reino de Cristo.
No livro, além das inúmeras citações bíblicas que reforçam a ideia de que Colombo crê ser um escolhido de Deus, também estão presentes citações que explicitam sua determinação em agir como um escolhido para que seu voto se cumpra, pois ele entende que este voto é resultado do fato de ser escolhido.
Segundo Birgham, na folha 32 do Livro das Profecias encontra-se a citação de Isaías 49, versos 5 e 6:
Mas agora, diz o Senhor que me formou desde o ventre para ser seu servo, para que torne a trazer Jacó e para reunir Israel a ele, porque eu sou glorificado perante o Senhor, e o meu Deus é a minha força. Sim, pouco é o seres meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os remanescentes de Israel, também te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra (Birgham, 1999).
De acordo com a exegese particular que faz do texto, Colombo defende sua missão de resgatar Jerusalém que estava sob o poder dos muçulmanos e, ao mesmo tempo conquistar as terras distantes. As duas facetas de sua missão estão interligadas. Colombo crê que nas terras distantes existem pessoas que precisam ouvir falar de Jesus para que se cumpra a grande comissão e a segunda vinda de Cristo seja abreviada. Mas ele também acredita que nestas terras distantes existem riquezas que deverão ser exploradas e utilizadas para patrocinar a retomada de Jerusalém. Sua missão então contempla estas duas responsabilidades: abrir caminho para que o Evangelho seja levado às nações até então desconhecidas e reclamar as riquezas descobertas para utilizá-las na reconquista da terra santa. Brigham (1990) afirma ser evidente, através dos escritos de Colombo, que ele julgava a si mesmo o servo do Senhor, um homem divinamente predestinado para uma altíssima missão, um santo empreendimento que haveria de glorificar o Salvador e dar cumprimento do grande desígnio salvador de Deus na História. Na folha 15 do livro das Profecias, Colombo escreve: “antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes de saíres da madre, te consagrei e te constituí profeta às nações” (Jeremias 1.5).
As muitas referências a ilhas, terras e nações distantes se encontram em diferentes folhas do Livro das Profecias, em diferentes contextos como na carta enviada a Fernando e Isabel de Castela ou à Dona Joana de La Torre, ou ainda em seus relatórios de viagem.
“Perto está a minha justiça, aparece a minha salvação e os meus braços dominarão os povos; as terras do mar me aguardam e no meu braço esperam” Isaías 51.5, citado na folha 82 do livro das Profecias
“ouví me terras do mar e vós, povos de longe, escutei”. Isaías 49.1, citado na folha 32.
Cantai ao Senhor um cântico novo e o seu louvor até às extremidades da terra, vós, os que navegais pelo mar e tudo quanto há nele, vós, terras do mar e seus moradores. Isaías 42.10, citado na Folha 31 (BRIGHAM, 1990, p; 117).
“Ai da terra onde há o roçar de muitas asas de insetos, que está além dos rios da Etiópia, que envia mensageiros por mar em navios de papiro” Isaías 18.2, citado na folha 55 do Livro da Profecias
“Naquele tempo será trazida uma oferta a Jeová, Senhor dos Exércitos por um povo de homens altos e de pele brunida, povo terrível, de perto e de longe, por uma nação poderosa e esmagadora, cuja terra os rios dividem, ao lugar do nome do Senhor dos Exércitos, ao monte Sião”. Isaías 18.7, citado na folha 55 do Livro das Profecias (BRIGHAM, 1990, p; 119).
“Então o verás, e serás iluminado, e o teu coração estremecerá e se alargará; porque a abundância do mar se tornará a ti, e as riquezas dos gentios virão a ti” Isaías 60. 5 a 10, citado na folha 35 do Livro das Profecias (BRIGHAM, 1990, p; 124)
“Ó Senhor, força minha e fortaleza minha e refúgio meu no dia da angústia, a ti virão as nações desde os fins da terra e dirão; nossos pais herdaram só mentiras e coisas vãs, em que não há proveito” Jeremias 16.19, folha 38 do livro das Profecias (BRIGHAM, 1990, p; 128)
O Almirante Cristóvão Colombo cita também o profeta Isaías para explicitar sua compreensão de que as terras descobertas deveriam ser fonte de recurso par a reconstrução de Jerusalém
Então o verás, e estarás radiante, e o teu coração estremecerá e se alegrará; porque a abundância do mar se tornará a ti, e as riquezas das nações a ti virão. A multidão de camelos te cobrirá, os dromedários de Midiã e Efá; todos os de Sabá, virão; trarão ouro e incenso, e publicarão os louvores do Senhor. Todos os rebanhos de Quedar se congregarão em ti, os carneiros de Nebaoite te servirão; com aceitação subirão ao meu altar, e eu glorificarei a casa da minha glória. Quem são estes que vêm voando como nuvens e como pombas para as suas janelas? Certamente as ilhas me aguardarão, e vêm primeiro os navios de Társis, para trazerem teus filhos de longe, e com eles a sua prata e o seu ouro, para o nome do Senhor teu Deus, e para o Santo de Israel, porquanto ele te glorificou. E estrangeiros edificarão os teus muros, e os seus reis te servirão; porque na minha ira te feri, mas na minha benignidade tive misericórdia de ti. Isáias 60, 5 a 10, citado no livro das Profecias, folha 82, (BRIGHAM, 1990, p. 124).
Em 1502, Colombo escreve uma carta ao Papa, na qual informa sobre a terra que havia descoberto, apresentando sua descrição do que havia visto e relacionando esta descrição com textos bíblicos. Em suas palavras, na terra descoberta
Havia grande quantidade de todos os metais preciosos em especial de ouro e cobre, pau Brasil, címbalos, aloés e muitas outras especiarias (…) Esta ilha é Társis, é Chetia, é Ophir e Ophaz e Cypanga e nós a chamamos de Espanhola.
Porque o Rei (Salomão) tinha no mar uma frota de Társis, com as naus de Hirão; de três em três anos voltava a frota de Társis, trazendo ouro, prata, marfim, bugios e pavões. I Reis 10.22, citado no livro das Profecias, folha 77 (BRIGHAM, 1990, p. 120).
Como mencionado anteriormente, Colombo tinha acentuada preocupação em levar a mensagem do Evangelho para os povos das nações descobertas e a apresentou também várias referências bíblicas para fortalecer seu argumento quanto à esta necessidade;
No entanto, por toda a Terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras até o confins do mundo. Salmo 19, 4, citado no Livro das Profecias, folha 7;
“Quão formosos são sobre os montes, os pés daqueles que anunciam as boas novas, que faz ouvir a paz, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: o teu Deus reina. Isaías 52.7, citado na folha 34 do Livro das Profecias (BRIGHAM, 1990, P. 129).
Por isso, glorificai ao Senhor no Oriente e, nas terras do mar, ao nome do Senhor, Deus de Israel. Isaías 24. 15.citado no Livro das Profecias, folha 82
Reina o Senhor, regozije-se a Terra, alegrem-se a muitas ilhas. Salmo 97.1, citado na folha 9 do Livro das Profecias (BRIGHAM, 1990, P. 130).
Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações. Batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado; e eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Mateus 28. 19 e 20, citado na folha 21 do Livro das Profecias. (BRIGHAM, 1990, P. 131).
Considerações finais
Stephen B. Brown, do Seminário Teológico Reformado, no prólogo do livro de Kay Brigham afirma que a tendência moderna de retirar das páginas da história toda e qualquer referência a Deus não é apenas uma tolice, é também uma tragédia. Por causa desta tragédia, estudantes de todas as faixas etárias e de todos os níveis escolares, seja de países social e economicamente favorecidos ou de regiões mais pobres do globo terrestre, aprendem que a religião é algo específico do espaço privado e que não se relaciona com o espaço público. Ou seja, todas as disciplinas acadêmicas, incluindo a História, têm sido ensinadas de forma desconectada de seu contexto mais amplo, o qual inclui a visão do sagrado. As crianças, dessa forma, crescem sem perceber que da religiosidade de um povo depende muito de sua cultura, de seus princípios familiares, sociais e políticos. Não aprendem o quanto a visão cristã de mundo foi, é e deve continuar a ser impulsionadora de grandes eventos na História.
É nossa tarefa como educadores resgatar o ensino da História Providencial, enfatizando a relevância dos elos do Cristianismo na cadeia de acontecimentos que resultaram naquilo que somos e vivemos hoje. Somente assim poderemos compreender e ajudar a nova geração a compreender qual o papel histórico que nos está reservado.
Referências bibliográficas
BIRGHAM, Kay. Christobal Colon. Sy vida y decubrimiento a la luz de sus profecías. Barcelona, 1990.
_____________. The Book of Prophecy of Christovan Columbus. Editorial CLUE: Fort Lauderdale, Flórida, USA. 1992.
MARCHAL, Peter and MANEUEL, David. The Light and the glory. New Jersey: Fleming H. Revel Company, 1977.
Rhodes, Bennnie. Christopher Columbus, discoverer of America. Media: Milfor, Michigan, 1984.
COLUMBUS, Christopher. The Book of Prophecies (excerpted). English Translation. Disponível em https://www.kelham.org/documents/Christopher_Columbus_Scriptural_Book_of_Prophecies.pdf , acessado em 10 de abril de 2025. [RTSC1]